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O
presente projeto de pesquisa procura investigar os processos de
educação e apendizagem resultantes da construção
coletiva de tecnologias socialmente e ecologicamente apropriadas
à agricultura familiar da Região Fronteira Noroeste
do Estado do Rio Grande do Sul. A referida região, onde a
Unjuí está inserida, é caracterizada pela pequena
agricultura e se encontra atualmente em profunda crise de empobrecimento
e endividamento, cujo sintoma mais visível é o êxodo
rural, especialmente dos jovens. A introdução de tecnologias
vinculadas à expansão da monocultura da soja tem contribuído
para a transferência de renda gerada na região, a destruição
de recursos naturais e uma maior dependência dos agricultores.
As cooperativas foram as maiores responsáveis pela introdução
e difusão destas tecnologias, modificando a dinâmica
de trabalho na agricultura familiar, aproximando-a tendencialmente
à lógica organizativa vigente na agricultura de caráter
empresarial. Na tentativa de se contrapôr à tendência
de aumento da desigualdade e de exclusão social em curso,
grupos de agricultores tentam resisitir, apostando na construção
de tecnologias que procuram combinar conhecimentos tradicionais
com inovações agroecológicas. A auto-organização
dos atingidos pela modernização capitalista da agricultura,
portanto, pode permitir a construção de processos
de aprendizagem, politização e mobilização
social que servem de base para uma maior autonomia dos sujeitos
envolvidos e a construção de uma outra dinâmica
de desenvolvimento rural na região. A preocupação
com a sustentabilidade das tecnologias construídas coletivamente
reforça a necessidade de concebermos o progresso tecnológico
no meio rural numa perspectiva histórica e em sua relação
com o meio ambiente. Por isso, o resgate histórico do conhecimento
tecnológico construído coletivamente nessa região,
como uma relação dos agricultores entre si e com a
natureza, é central para compreendermos o processo de consciência
que foi sendo construído. Esse conhecimento, historicamente
construído pela maioria dos agricultores, foi desprezado
com a introdução de tecnologias direcionadas pelas
cooperativas para a expansão da monocultura da soja. Entretanto,
considerando que a construção do conhecimento é
um processo coletivo, que se dá por meio das interações
e relações sociais estabelecidas por seres humanos,
temos na auto-organização cooperativa dos agricultores
o foco central da nossa pesquisa. Centralmente, queremos entender
como esse processo de aprendizagem e educação se desenvolve.
Ao mesmo tempo, entendemos que a reflexão crítica
sobre as organizações cooperativas presentes na região,
seu papel difusor de tecnologias agrícolas, sua contribuição
na formação da consciência e seu potencial de
mobilização social se insere numa perspectiva acadêmica,
de inovação e progresso científico na compreensão
de sujeitos e organizações sociais existentes. |