Capa do livro

O livro aborda o conflito em torno do cultivo da soja transgênica e da soja orgânica, que marca o debate contemporâneo sobre a reforma agrária no Brasil. Trata-se do acesso a recursos naturais, do direito à terra e à alimentação e, não por último, do poder político diretamente ligado à temática. O aumento da concentração no setor alimentício em nível mundial, a monopolização do complexo agroindustrial e a tendência de ampliação do livre mercado no setor agrícola intensificam a concorrência entre os produtores rurais e colocam em risco a viabilidade dos agricultores. A existência dos pequenos agricultores como produtores individuais é dificultada pelo uso da transgenia na agricultura na mesma medida em que eles são obrigados a seguir a estratégia das grandes multinacionais do setor agrário, tendo em vista a “silenciosa” contaminação genética que está em curso. A continuidade da assim chamada Revolução Verde aprofunda a dependência, o endividamento e o empobrecimento dos pequenos agricultores, os quais são constantemente pressionados a se adaptar a uma situação sem reais possibilidades de futuro.

O uso da transgenia na produção de soja brasileira intensifica a liberação de forças destrutivas com efeitos simultâneos sobre a natureza e os seres humanos que vivem e trabalham na agricultura. A privatização de recursos naturais e de conhecimento em benefício de corporações multinacionais e grandes proprietários rurais aprofunda a desigualdade social na sociedade brasileira, um contexto no qual as possibilidades de resistência por parte de pequenos produtores individuais e de consumidores são significativamente reduzidas. Enquanto o capital (especialmente insumos, crédito, assim como a estrutura de industrialização e comercialização de produtos agrícolas) tende a ser crescentemente monopolizado, os agricultores são tencionados a concorrer entre si pela sobrevivência. O presente livro é resultado de tese de doutorado sobre agricultura familiar da Região Fronteira Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul, que tende a se adaptar ao desenvolvimento tecnológico orientado pelos interesses do capital, com base na suposta maior facilidade e redução de trabalho, e, com isso, corre o risco de ser eliminada. Em função da estrutura agrária dominante, o cultivo de soja orgânica não constitui uma alternativa viável às propriedades familiares pesquisadas e possíveis perspectivas da agroecologia dependem fortemente de uma maior organização cooperativa dos agricultores e consumidores na região. Exatamente porque na agricultura os problemas econômicos, ecológicos e sociais que ameaçam a existência dos pequenos agricultores estão intimamente relacionados, iniciativas coletivas poderiam abrir novas oportunidades. A auto-organização dos atingidos pela modernização capitalista da agricultura poderia permitir a construção de processos de aprendizagem, politização e mobilização social que serviriam de base para uma outra dinâmica de desenvolvimento.

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